segunda-feira, 21 de maio de 2007
EXPOSIÇÃO DA ARTISTA PLÁSTICA MIRTÔ REVELA
O SAGRADO DO FEMININO
Vai ser aberta no dia 26 de maio, sábado, a partir das 11 horas da manhã, no Café de Deus - Cafeteria e Espaço Cultural a exposição “O Sagrado do Feminino” da artista plástica Mirtô. São nove peças feitas através de pigmentação de estamparia em tecidos, técnica desenvolvida por ela em mais de 60 anos dedicados às artes plásticas. Assim ela faz a tinta fluida, aquosa ter ao mesmo tempo a delicadeza da aquarela e a força da pintura à óleo.
Estão presentes na mostra imagens reinventadas de Isabel e Maria, Santa Clara, Madalena, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora das Mercês. Além de outras criadas da fértil imaginação da artista: Nossa Senhora dos Catadores de Papel e Nossa Senhora da Amazônia. “Arte Sacra tem outros envolvimentos. O artista é mais livre para criar, seu imaginário é mais solto, podendo trabalhar com a tradição, costumes e religiosidade do ser humano para com a Mãe de Deus, para com Deus e seus Santos. Essa é minha forma de abordar a mulher na religião e no mundo. A mulher precisa rejeitar a alienação para exercer seu papel numa espiritualidade”, afirma Mirtô.
Durante a vernissage a artista plástica fará um recital de suas poesias sobre as obras criadas.
SOBRE A ARTISTA
Aluna de Lótus Lobo, Inimá de Paula, Amílcar de Castro e Jorge Helt, Mirtô tem 60 anos de experiência em artes plásticas. Trabalha também com técnica em óleo, carvão, aquarela, pastéis, gravuras em metal, litografias, xilogravuras, estamparia em tecidos.
Vitrais, jateamento, givrée, gerraux
Artista com exposições e coletivas em salões nacionais e internacionais
Participação em 6(seis) bienais internacionais
Histórico Profissional
Membro da Associação de Gravuristas Internacionais – ADOGI - Lion – França
1978 – III Bienal de Valparaíso - Chile
Coletiva de Gravadores Brasileiros – CANTV – Caracas – Venezuela
Gravadores Mineiros – Galeria Homero Massa – Vitória /ES
1979 - Litografia Brasileira – Palácio das Artes – Belo Horizonte/MG
Salão Nelo Nuno – Juiz de Fora/MG
1980 – III Salão Nelo Nuno – Juiz de Fora/MG
V Bienal Del Gabrado Latino-americano – San Ruan – Porto Rico
1981 – III Bienal de Valparaíso – Chile
1982 – V Mostra de Gravura da Cidade de Curitiba/PR
1984 – Salão Sul América – Monografia. Desenho e Linguagem Universal Internacional
Print Exhibit – Taipei – República da China
1985 – Salão da Aeronáutica – Belo Horizonte/MG
1986 – VI Mini Print International – Taller Galeria Fort/ Cadaqués – Barcelona/Espanha
25 Anos da Litografia Mineira – artista convidada – Palácio das Artes – Belo Horizonte/MG
1987 – VII Mini Print International – Barcelona – Espanha
Roteiro Itinerante Richard Gallery – Boston – EUA
Fundación La Caixa Llieda – Espanha
Fundación La Caixa Igualada – Espanha
Fundación La Caixa Valencia - Espanha
Montserrat Collage Of Art – Beverly – EUA
1988 – Mini Print International Traveling Show – Château Royal de Collioure – França
Design Packaging Clister – Coréia do Sul
Hunaru Gallery – Coréia
Galleries Des Edition Universelles – França
VIII Bienal de Barcelona – 1ª Mostra – Madri – Espanha
Roteiro Itinerante: Toulouse/França – Genebra/Suíça – Manizelles/Colômbia
1989 – 1995 – Período dedicado a estudos e pesquisas. Reciclando o envolvimento com as artes plásticas, no estudo exegético da Bíblia e sua aplicação na iconografia.
1997 – 1ª Mostra Individual de Ícones – Espaço Cultural Telemig – Belo Horizonte/MG
1998 – Mostra Individual de Arte Sacra – Fundação Jaime Câmara – Goiânia/GO
1999 – Mostra Individual de Iconografias na Galeria de Artes da Oficina Cultural – Uberlândia – MG
2000 – Mostra Individual de Ícones – Sistema Integrado de Museus – SIM – Belém/PA
2001 – Mostra Individual de Ícones – Galeria Jayme Câmara – Goiânia/GO
A ARTE DE MIRTÔ
Relato de Serge Gerardin, professor de francês do Centro Franco-brasileiro de Cultura da Universidade Federal de Uberlândia/MG
A pintura de Mirtô é pensada, imaginada, sonhada sem ser artificial ou real. Seus retratos dão uma impressão de profundeza e de espaço. Esta amplidão é o fruto de uma ciência acoplada que sabe recuar vertiginosamente o horizonte próximo ao infinito, onde confunde-se com a abstração, o irreal.
Sua técnica pastel, sua escolha de cores “frias”, o lugar das “luzes” introduzem dentro das figuras humanas uma nota de fragilidade, um desacordo... talvez uma revolta.
Todavia, sua pintura se aplica com paciência e doçura a estabelecer uma harmonia. A luz que acaricia os seres chega de uma fonte fora deste mundo.
Uma impressionante espiritualidade e religiosidade emana sempre de seus quadros. Cada fisionomia é uma misteriosa animação de verdade e mentira de convenções requintadas e observações brutas.
O espaço é estável, mas foge rumo a um ponto invisível ou contrário aos limites preestabelecidos.
Seus quadros são alucinantes de liberdade, de intensidade.
Mirtô confronta a objetividade do mundo à subjetividade da pintura.
(Texto extraído do Jornal Primeira Hora – Uberlândia – 11/06/1983)